Hoje o sono vai demorar pra chegar. Porque hoje a minha vida inteira está tentando caber em cada música, em cada poema, em cada imagem que eu acesso. Em uma noite. Hoje as guardas estão baixas e o tato lê espinho. Hoje os olhos estão secos, mas a alma está marejando e qualquer esforço parece inútil e qualquer meta parece inatingível. O peso das perdas, das frustrações, da desesperança, cai sobre os ombros desprotegidos e faz deitar o corpo em um canto qualquer da casa. O cansaço recusa estratégias e investimentos emocionais, exacerbado pelas decepções. Faltam atitudes, grandes, pequenas, todas. Faltam palavras, pactos, carícias, falta proporcionalidade. E eu vou me entremeando nas brechas que me são disponibilizadas, sem norte, enquanto os dias vão se oferecendo ora iguais, ora piores. Não há progresso nisto, não há saída, e tudo fica em suspensão, como em uma área de monotonia da natureza, onde nada acontece, nenhum som se precipita, nenhuma folhinha mexe, não há vento. O passado e seus inspetores tomam vulto, enchem-se de força e autoridade, e o presente vai minguando debilitado.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Janela Branca
A janela do word espera hoje por palavras leves, positivas, animadas. Na falta delas, levanto-me mais uma vez para um café ou talvez um pedaço de doce que sobrou do domingo. Volto a encarar o espaço branco e, definitivamente, não tenho leveza, positivismo e animação hoje para dar.
Não tenho elogios, mas lamentos. Preocupada com algumas coisas, triste com outras, desanimada com terceiras. Tem dia que se somam tantos desarranjos que a alma da gente fica acuada e o corpo se abandona em uma espécie de paralisia, enquanto a mente trabalha sôfrega e contra-producentemente.
Se eu conseguisse ser racional, faria uma lista dos problemas, enumeraria os de solução possível e reconheceria os que não dependem de mim, buscaria conformação e pronto.
Chorar alivia ou enfraquece?
Poderia esquecer o trabalho por alguns minutos e escrever um poema, um conto, uma lista de supermercado, qualquer coisa que derretesse o gelo entre os dedos e o teclado.
Na vidraça, uma rosa suferino me acena, deve ter desabrochado durante a noite, com pulgão e tudo...
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Montanha Russa
Você dá um passo à frente, eu inflamo; quando você avança, eu me encho de uma esperança quase infantil, daquelas que metem medo de desacontecer. Vou lá no futuro, enxergo-o com detalhes impressionantemente reais em cenas coloridas, sonoras, aromáticas, sensitivas.
Você atrasa o passo, eu paraliso; quando você recua, eu caio num limbo sem chão, assustador, daqueles de filme que perturba a mente durante a noite. Busco na memória carinhos, fatos e discursos promissores e me agarro neles como quem pede colo de mãe. Mas a coisa toda desacelera aqui dentro autonomamente, até que aconteçam novas fagulhas de esperança lançadas a esmo.
Uma montanha russa que, entre uma e outra oscilações vertiginosas, reabre feridas e expõe fraturas.
O amor agoniza, desenganado.
Você atrasa o passo, eu paraliso; quando você recua, eu caio num limbo sem chão, assustador, daqueles de filme que perturba a mente durante a noite. Busco na memória carinhos, fatos e discursos promissores e me agarro neles como quem pede colo de mãe. Mas a coisa toda desacelera aqui dentro autonomamente, até que aconteçam novas fagulhas de esperança lançadas a esmo.
Uma montanha russa que, entre uma e outra oscilações vertiginosas, reabre feridas e expõe fraturas.
O amor agoniza, desenganado.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Piadas reveladoras
A idéia da morte e o medo que ela inspira perseguem o animal humano como nenhuma outra coisa. Em proporção um pouco menor, para algumas pessoas, assim também é com o envolvimento. Fazer piada sobre a morte e sobre relacionamento é uma das formas de negar que eles existem e estão aí com todo o seu peso. E a negação é o Sistema de Defesa mais simplório, em que se substitui o fator psíquico incômodo por uma “nova versão dos fatos”.
É interessante prestarmos atenção nas piadas que as pessoas fazem e, principalmente, nas nossas próprias: entre um e outro gracejo feito sobre coisas sérias, vamos nos expondo e mostrando aos outros até mais do que percebemos sobre nós mesmos...
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Crise de Fé
A nossa fé pode falhar. Até Abraão viu sua fé falhar.
O incidente na vida de Abrão que está em Gênesis, de 12:10 a 13:4, é um instrumento de encorajamento.
Quando Abrão enfrenta a fome, ele vive o seu primeiro teste de fé. Em nenhum momento Abrão é diretamente condenado por sua decisão de descer para o Egito quando a coisa apertou, mas o desenrolar posterior da história deixa claro que suas ações não derivaram da fé. Abrão não consultou a Deus, mas agiu independentemente e nem clamou pelo Senhor. Faltou fé a Abraão também quando ele quis fingir que Sarai era sua irmã em vez de sua esposa. Abrão escondeu-se debaixo da saia de sua esposa para ser protegido e abençoado, ao invés de fazê-lo nas promessas de Deus. No final, aconteceu justamente o que ele temia, pois o faraó acabou se interessando por Sarai. Abraão não foi vítima daquilo que temia; ele foi a causa do que ocorreu. Seu medo do futuro e seu incrédulo plano de ação é que realmente causaram o problema que se seguiu. Muitas coisas que tememos são autoinfligidas.
Deus deixou que Abrão falhasse e escorregasse até que sua situação ficasse aparentemente sem esperanças. E de repente, sem nenhum aviso, Deus interveio na vida de Abrão, trazendo a praga ao palácio do faraó.
Sabemos que a fé de Abrão falhou. Mas este fracasso dele não frustrou os planos de Deus para a sua vida. Enquanto nossa fé falha, Deus não falha. Ele compreende as nossas dúvidas perfeitamente, até porque duvidar é muito diferente de negar. Deus abraça a nossa dúvida, a falha da nossa fé, e não muda os planos d'Ele para a nossa vida.
Sabemos que a fé de Abrão falhou. Mas este fracasso dele não frustrou os planos de Deus para a sua vida. Enquanto nossa fé falha, Deus não falha. Ele compreende as nossas dúvidas perfeitamente, até porque duvidar é muito diferente de negar. Deus abraça a nossa dúvida, a falha da nossa fé, e não muda os planos d'Ele para a nossa vida.
Fé verdadeira em Deus é uma fé que cresce. Portanto, mesmo com a sua dúvida e os seus questionamentos, Deus continuará do seu lado, e depois que a crise interna passar, sua fé se mostrará fortalecida. Com toda certeza.
“Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo; o teu galardão será muito grande.”
Ribeirão Preto, 20 de julho de 2011
Ribeirão Preto, 20 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Só meu
Então você mostra que o amor é só meu, o entusiasmo é só meu. Os planos, os sonhos, o desejo, a dedicação, o zelo. Que o tempo todo tenho estado solitária nos anseios, nos delírios. Eu agora precisava ardentemente que você estivesse ansiando também, delirando também. Juro, eu não sei acender depois que apago, então não me deixa apagar não... Não me deixa apagar. Porque talvez nossos caminhos possam mesmo andar juntos nesse labirinto energético do universo tão difícil de entender e quando você vier me fazer companhia nos sentimentos, tudo precisa estar ainda vivo dentro de mim. Então, não me deixa apagar não. Porque tudo indica que somos para ser. Então... não vá me dizer que você também só vai me dar valor depois que me perder... Não, por favor, você não.
domingo, 10 de julho de 2011
Listas, velas e flores
Então fico aqui tentando preencher os momentos que seriam nossos com afazeres inúteis. E faço listas alucinadas, listas e mais listas. Algumas saem da cabeça e chegam a ir para o papel. Listas de ingredientes para um almoço que quero fazer pra você, de orientações e atenções que preciso dar às caçulas, de frases que precisam estar no discurso sobre o amor na comemoração do nosso casamento, de objetos que deverão enfeitar a mesa de vinte lugares em almoços de família. E fico pensando onde posso encontrar bastão de baunilha natural e ralador de noz moscada. Fico ensaiando como ensina-las a cuidar dos cabelos e dos sentimentos. Busco na memória os versículos do capítulo 13 de Corintios 1, perguntando-me quem poderia ler enquanto trocamos as alianças. E imagino flores em vasos individuais, velas em castiçais baixos que enfeitem a mesa toda e não atrapalhem a conversa animada da grande família nos almoços dominicais. Fico nos casando assim, como se pudesse materializar um antídoto para o veneno da distância. E o coração vai ficando espremido, batendo depressa e atrapalhando o raro sono. A incerteza trazida pela ausência me deixa assim insensata, abestalhada, insana, e a esperança vai minguando enquanto assisto a minha insignificância.
“Bebe o brilho dela até entender” (Taiguara)
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